sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Prisão de Ferrugens




Samuel dirige em alta velocidade, quer logo acabar com isso, ele passa a mão na testa para tirar o excesso de suor, o rádio do seu carro liga e ele pode ouvir em meio aos chiados uma voz feminina:

-“... Por favor, venha rápido, eu não posso mais suportar... Eu sinto que estou enlouquecendo...”

-Não se preocupe! Eu estou chegando! Já estou na estrada velha passagem!


-“... Vai acontecer de novo... “


-Calma! Não vai acontecer nada! Continua falando comigo!

Ele pode ouvir apenas chiados e logo depois o rádio desliga:

-MERDA!!! - Ele grita dando um soco no volante! – Eu só quero acabar logo com essa porra!

Há duas semanas atrás foi quando tudo começou, Samuel acordou em uma manhã com o rádio chiando e em meio aos chiados a voz feminina falando, de inicio ele pensava que era algum tipo de novela via radio, mas depois percebeu rádios ao seu redor ligavam e a voz da mulher falava, logo percebeu que ela podia ouvi-lo, sempre pedindo ajuda e gritando, também ouvia sons bizarros às vezes. Ela chama-se Leila e fala estar presa nas ferrugens da estrada velha passagem. Não agüentando mais os sofridos pedidos de socorro Samuel decidiu partir sozinho ao encontro da mulher, ninguém acreditaria nele...

-Isso vai acabar essa noite! Tem que acabar!

O rádio liga novamente, ele pode ouvir a voz:

-“...PARE!”

Ele freia bruscamente.

-“...a sua direita...”

Samuel olha a direita e vê apenas a mata fechada, e diz:

-O que tem?

-“...estou aqui...”


Samuel pega uma lanterna e entra mata a dentro, balançando a lanterna para todos os lados enquanto desce, grita:

- LEILA? VOCÊ ESTÁ AQUI?

Ele não precisa de uma resposta pois avista mais a baixo um carro virado bem amassado, ele corre em direção ao carro, ela pode estar ali dentro, precisa estar, ele não suporta mais os pedidos, os choros, os gritos de horror...

Ao se aproximar o suficiente do carro ele olha pela porta, está escuro lá dentro e antes de colocar a luz da lanterna ele leva as mãos ao rosto e se afasta, tem um cheiro podre saindo pela porta do carro, logo ele se recupera e volta à porta, coloca a luz da lanterna dentro do carro e ouve um grito de horror, duas mãos vão em direção a ele segurando-o e o puxando para dentro do carro, Samuel sente sua cabeça bater, ele fica tonto mas logo volta a si, ele dá um grito de dor ao sentir que há algo enfiado em sua barriga, ao olhar ver que é um pedaço do carro que está nele, sente cortes por todo o corpo e percebe estar de cabeça para baixo preso ao cinto de segurança, ao olhar para o lado ele vê ele mesmo do lado de fora do carro com a mão no rosto chorando e dizendo:

- “Desculpa! Por favor desculpa! Eu não queria mas essa é a única saída... Você é prisioneiro das ferrugens agora, não faça muito barulho eles vão escutar você.”

Após falar isso vai embora, Samuel não entende, como aquilo é possível? Uma pessoa igual a ele? E como ele está ali preso? Ele tenta tirar o cinto de segurança mas não consegue, fazendo apenas bastante barulho, a dor é enorme, de repente ele ouve um som no meio do mato, ele olha pelo retrovisor um pouco quebrado e consegue ver uma coisa vindo em direção ao carro, ele não conseguia ver direito só conseguia ouvir os sons, agora de gritos, que animal poderia soltar um som tão bizarro? O rádio liga e ele ouve o som de crianças brincando, o carro começa a tremer e os sons de gritos aumentam, Samuel grita de horror:

-SOCORRO!

Do radio ele ouve uma voz feminina:

-...Amor foi você que ligou esse radio?...


-...Estranho e que sons mais esquisitos, vou desligar


-SOCORRO ALGUEM PODE ME OUVIR?


O rádio desliga, e ao olhar para o lado ele vê pela janela a coisa mais horrível que já viu na sua vida, algo que nem mesmo os seus pesadelos poderiam criar...


Um comentário:

  1. 'Assim são contos'.. e_e Vocês dois, hein? e___e
    Crueldade parar no melhor. e.ê

    Masculinidade à parte... -n
    Continua, continua, continua. *-*

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