quinta-feira, 19 de novembro de 2009

...para finalmente encontrar a morte.

A noite estava enevoada e fria. Triste e silenciosa.


Não tinha mais o que fazer. Sentia-se preso num calabouço , preso e enclausurado em meio à escuridão de uma situação sem saída. Sentado em sua cama, com os joelhos levemente dobrados e os cotovelos apoiados em suas coxas, ele entrelaçava os dedos das mãos e unia os polegares, com o olhar perdido e vazio, mirando o nada, mas indiferentemente voltado para o assoalho acarpetado de seu pequeno e isolado quartinho.


Estava com a posição ligeiramente curvada, como se os ombros lhe pesassem tanto que seria impossível manter a postura ereta de sempre. Suas costas formavam um estranho quarto de círculo devido à acentuação da inclinação dele, ficando exatamente parada, sem demonstrar uma oscilação sequer, já que ele estava ali parado de forma tão concentrada que os pequenos movimentos do corpo tinham cessado de maneira surpreendentemente anormal.


Seus cabelos - longos e castanhos - lhe caíam sobre o rosto em pequenos cachos largos e esparsos, que mal aguentavam o próprio peso e se desfaziam, como uma mola esticada excessivamente. Estes se mantinham em queda livre até atingir os ombros daquele homem, encontrando a limitação física de seu comprimento e então cessando sua queda, roçando as pontas no tecido branco desbotado da camiseta velha que ele trajava, indiferente de quão suja ela estava.


Sua pele apresentava sinais de maus tratos evidentes. Marcas de espinhas que não foram devidamente cuidadas dividiam espaço com um sebo característico de peles oleosas demais e alguns poucos e espalhados pelos de barba, mais finos que o normal, batalhando com alguns cravos e espinhas em formação por um lugar naquele rosto mal conservado e largo, bem diferente do da maioria dos homens na idade dele, acentuados e finos, expressivos e determinados.


Seus olhos se mantinham semi cerrados sob grossas e mal cuidadas sobrancelhas, que denunciavam uma ancestralidade rústica na árvore genealógica daquele homem. A barba mal feita e o cabelo cacheado-ondulado ajudavam a evidenciar ainda mais essa característica. Olhos de um castanho tão profundo jaziam há horas parados na mesma direção, sem um indício de brilho sequer. Pareciam secos, vítreos, indiferentes.


Suas olheiras eram visíveis de cara, não era  preciso nem chegar perto para vê-las. Além das noites mal dormidas - por medo de ver o que mais temia - e da atenção excessiva que tinha que prestar, ele ainda sofria por ter chorado tanto quanto pode, apenas parando por já não ter mais de onde tirar sentimento para dar vazão a tantas e tantas lágrimas, tão salgadas e amargas que pareciam literalmente exprimir o sofrimento contido dele. E não só isso sendo já suficiente, como para ele lágrimas eram uma regalia extremamente rara e mal aproveitada, cada uma delas vindo carregada com tanto ódio e desprezo, com tanta solidão e descaso, com tanta dor e sofrimento, que qualquer uma delas poderia ser comparada a veneno, ou algum tipo de substância tóxica advinda de fontes declaramente inumanas, ou pelo menos tão nocivas a humanos que só o simples vislumbre delas seria capaz de trazer nojo ao seu infeliz espectador.


Seu corpo era tão mal cuidado como o rosto - traços marcantes do descaso que ele tinha para com ele mesmo e sua vida - último bem que ainda lhe restava genuinamente. Estava acima do peso, mas ainda assim era visível a força que ele tinha em seu corpo. Atarracado, denunciava sua força e novamente sua descendência, mas que agora de nada adiantavam, já que permanecia sentado e curvado, sentindo-se tão derrotado que nem a derrota que havia sofrido de fato era tão dolorosa quanto a que ele experimentava em sua mente.


Suspirou longa e profundamente, tentando retirar um último resquício de energia dentro da carcaça vazia que era seu corpo. Em vão, já que tudo o que tinha dentro de si, além de um amontoado de vísceras trabalhando continua e desesperadamente para manter aquele ser sem vida ainda se movendo, era um aglomerado sem forma de sentimentos inomináveis, devido ao número de repetição da experimentação deles. Tanto e tanto ele havia sentido cada um que por fim eles acabaram se transformando e mesclando-se uns aos outros, gerando nele uma criatura irreconhecível e aberrante, tão repugnante quanto seu hospedeiro repulsivo.


Então, pela primeira vez em horas, retirou o olhar do chão coberto pelo carpete de cor verde-musgo. Elevou o rosto lentamente, de forma pesarosa e difícil, usando incrivelmente todas as poucas forças que ainda lhe restavam espalhadas pelos músculos e mirou a parede. Um novo suspiro percorreu os caminhos sinuosos de seu corpo até verificar que mais nada ali restava além da criatura vil que crescia lhe sugando as forças. 


Tirou os cotovelos das coxas e desentrelaçou os dedos, dobrando-os e sentindo-os estalar de forma sonora, já que estavam há horas naquela mesma posição quase meditativa. Pôs as mãos nos joelhos e apoiou-se neles para levantar, tirando o corpo da cama e ficando em seguida de pé por alguns segundos. Esticou os braços e então pode sentir uma fortíssima cãibra atacando ao mesmo tempo todos os músculos do corpo, que, quase como em rebelião, inflamavam-se e latejavam, como se reclamassem de terem sua função de garantir o movimento proibida. Porém isso para ele era nada, já que uma simples dor física sequer alcançaria o patamar da enorme dor que sentia em seu coração.


A tal criatura formada pela mistura das virtudes enegrecidas dele tomava o controle de seu pequeno e  destroçado coração, de modo a cegar-lhe para tudo o que tinha a sua volta. Olhava para o seu quarto e não via absolutamente nada. Porém, aos olhos de qualquer outro, tantas coisas podiam ser vistas que qualquer um acharia ele louco. Mas a verdade era cruel. Para ele, nada daquilo tinha sentido. Nada daquilo valia a pena.


Tinha uma cama boa e confortável, com um lençol parcialmente limpo e travesseiros fofos emaranhados junto com um edredon grosso. Jamais morreria de frio ou sentiria sono por dormir mal. Tinha roupas, não muitas, mas o bastante para serem usadas, e todas ao seu gosto. Nada muito chamativo, tudo conforme os gostos dele. Dispunha de um computador bom e de periféricos, todos em bom estado. Ainda tinha uma família que, mesmo não sendo boa com ele, sustentava-o e lhe garantia abrigo, casa, comida e roupas lavadas. Tinha onde morar, o que comer, o que vestir, sustento básico e algumas poucas regalias. Uma vida boa até.


Mas nada disso valia a pena. Ele estava morto por dentro. O que ele realmente queria, ou melhor, o que ele realmente precisava, não era um amontoado de bens materiais e calculáveis. Não precisava - nem queria - uma família que o sustentava de forma mecânica e simplista. Não queria tudo aquilo, apenas ferramentas para mantê-lo preso e uniforme perante à sociedade na qual vivia. Jamais havia desejado estar ali, e não entendia o porque de ter de se conformar com aquilo se estar ali jamais fora uma opção, uma escolha, e sim uma imposição.


Precisava sim de amor. De carinho. De atenção. De compreensão. De afeto. De ternura. De complacência. Precisava de coisas que não podiam ser mensuradas como uma boa condição financeira ou social. Precisava de coisas que não podiam ser contadas ou vistas, sequer quantificadas de algum ou qualquer outro modo conhecido pelo homem, fosse lógico ou não, racional ou não. Precisava do intangível, do inatingível, do transcendental, do eterno, do estático, do imutável. Precisava de um chão, de algo no qual pudesse se firmar, de um solo firme para poder dar suas passadas trêmulas e incertas, abarrotadas de medos e pesares vis. Precisava estar arraigado numa verdade tamanha na qual nada, nem ninguém, até mesmo seus medos e sofrimentos, até mesmos seus inimigos - idealizados ou não - pudesse sequer chegar a estremecê-la, nem tocá-la. Ele precisava de um berço, uma fonte, uma fortaleza, um castelo de paredes e muralhas infindáveis e intransponíveis, nas quais ele encontraria o conforto real de uma vida irreconhecível até então, apenas fundamentada no que é petrificado e imutável, no que é real, no que ele jamais poderia perder. Ele precisava, sobretudo, de se sentir seguro, vivo. Ele precisava ter uma certeza.


Mas nada disso lhe era garantido até então. Tudo o que ele realmente tinha era fraco. Era como se vivesse sempre na beira do precipício, em cima de uma pedra que estivesse sempre prestes a rolar. Uma pedra completamente grosseira e hostil, de formas pontiagudas e inconcebíveis para sua morada, porém sempre se apresentando perfeitamente esférica quando qualquer coisa ameaçasse derrubá-la e jogá-la montanha abaixo, levando consigo ele e sua vida despedaçada, repleta de sentimentos aberrantes e disformes. Era impressionante para ele como tudo em sua vida, por mais certo que pudesse parecer, sempre estava prestes a ruir, sempre estava prestes a se mostrar mais uma de suas ilusões maldosamente plausíveis. 


Deu o primeiro passo, o que fez com que a dor se espalhasse por todo ele novamente. Não ligou, já que essa dor quase não lhe era mais importante. Foi até a escrivaninha onde repousava seu computador e pôs a mão em cima da madeira gélida e morta. Passou os dedos e notou uma fina camada de poeira, que agarrou-se a seus dedos quase como cola. Esfregou o polegar em cada um deles e livrou-se da sujeira incômoda. Observou os grãos de poeira caírem no chão, iluminados pelo forte e intenso luar. Aquilo era um ciclo: a sujeira que cobria a escrivaninha cobriria o chão, que iria para fundo da cama, que, com uma lufada inocente de vento, voltaria para a escrivaninha, e assim sucessivamente. E que não fossem os mesmos grãos, que fossem outros, o quarto, mesmo que limpo uma vez, voltaria a ficar sujo. E o ciclo se repetiria, até que ele morresse, para que o quarto permanecesse, para que a sujeira permanecesse. Era uma batalha inútil.


E não é assim a vida? Uma batalha inútil contra as desgraças que se abatem sobre nós? Era como se ele vivesse num mundo coberto por uma escuridão sem fim, e o ponto onde ele estivesse seria uma única fogueira, alimentada por uns poucos e mal colhidos galhos de madeira seca. A fogueira estava quase sempre se apagando, e necessitava de constante alimentação. Sua família se encarregava de obter a madeira, enquanto ele permaneceria ali, a salvo da escuridão sem fim num único pontinho efêmero de esperança. Até que um dia sua mãe não voltaria. Nem seu pai. Na tentativa de buscar mais lenha para a fogueira rudimentar e bruxuleante, eles se perderiam na escuridão, até que ele desse por falta e chorasse. Em vão, pois esse é o destino de tudo que é vivo: morrer anônimo em meio a vastidão enegrecida de um universo que não se importa com mais um de seus entes vivos separados e pouco importantes. E então seria a vez dele de alimentar a fogueira. Até que achasse outra fogueira e se unisse a outra pessoa para alimentarem juntos uma nova fogueira, para terem novas crias, que passarão a mesma idéia fútil de vida: uma eterna batalha inútil contra um destino cujo qual não há escapatória. A vida não tem sentido.


O destino de tudo é acabar envolto em trevas e propelido apenas pelo desejo infantil de fugir da dor e do sofrimento. Ele sabia disso, e assim fora a vida dele desde então. Sabia que limpar a sujeira não adiantava, mas continuava limpando-a. Sabia que alimentar aquela fogueira era inútil, mas continuava a jogar nela uma madeira qualquer conseguida em meio a um mundo hostil e competitivo. E o sofrimento maior vinha de não ter nada além disso: um ideal vazio, que não era dele, imposto por outros. A vida era um cárcere no qual você só sairia se morresse após sofrer toda a pena. A prisão perfeita, na qual a única fuga simples implicaria num sofrimento tamanho que desencorajava sua tentativa.


E era pior para ele, pois sofria mais ainda. Era sozinho. Triste. Sem amigos. Com uma família decadente e  egoísta. A limpeza que ele fazia - não contra a sujeira, mas contra sua dor - era sozinha e em vão. O pior nem era estar sozinho de companhia e ser levado por um grupo familiar distante e deslocado. O pior era não ter o que precisava. O pior era não ter todo o amor do qual necessitava em sua vazia vida. De fato o que empurraria ele a viver era o amor. O que impulsiona qualquer um é o amor. E ele não o tinha. Mantinha-se uma carcaça vazia.


Percebeu que o luar subia mais alto no céu. Há quantas horas estaria ali? Talvez até mesmo por dias ele estivesse trancado. Não sabia, pois a dor e o sofrimento eram tão forte sem sua mente que só via a dor de estar perdido e sem vida. Estava surdo para os outros, cego para o que tinha e mudo para expressar-se. A surdez era porque nada em sua vida atual poderia salvá-lo, logo, perder tempo ouvindo que ele precisava viver era inútil. A cegueira era porque nada do que tinha lhe era útil ou dotado de algum valor realmente bom. E a mudez fora causada pelo vislumbre do fim de esperança. Não podia dizer a ninguém que a vida era sem sentido, senão todos os quartos ficariam sujos, senão todas as fogueiras se apagariam instantaneamente! Talvez fosse um resquício de bons sentimentos ainda viventes nele. Ou talvez fosse a tal criatura de retalhos de sentimentos, esperando trazer mais pessoas para o fundo do poço com ele, apenas deixando que sofressem mais. Talvez todos tivessem uma criatura dessas em seus corações, que só apareceria caso as pessoas fossem abandonadas à própria depressão, como ele.


Andou até a luminosidade vinda da janela e que caía no meio do quarto e sentiu a dor da luz penetrando suas pupilas largamente dilatadas, mas novamente ignorou. A luz da lua era como um caminho a ser seguido, levando-o para o paraíso eterno, livre da dor e do sofrimento. Ou talvez uma ponte ilusória, que serviria como truque para fazer todos seguirem ela e caírem num pântano lodoso, que lentamente tragaria-os para um fim doloroso, lento e inevitável. Fosse o que fosse, não importava, já que uma hora ou outra todos se livrariam do cárcere da vida, fosse pelo sofrimento concentrado num único instante ou o parcelado numa vida inteira de dor.


Olhou para a janela e viu as trevas caindo do céu e cobrindo tudo. Do meio do quarto observava a abertura na parede, tampada pelo vidro e pela madeira que recobria as pontas. Um vento frio e desagradável entrava pelo cômodo, um prenúncio de que a noite pioraria mais ainda e se tornaria mais fria e morta. 


Deu uns poucos passos para frente, até que a luz deixasse de iluminar seu rosto pálido e sofrido e começasse a iluminar seu peito. Pôs as mãos na parede e a cabeça levemente para fora do quarto. Respirou o ar noturno, aquele mesmo ar morto que trouxera o prenúncio decadente de uma noite gélida e de um dia ainda pior. Sentiu, por uns instantes, um sorriso tomando o rosto. Fora mais um lapso de esperança. Porém, o sorriso tornou-se vazio, mesmo permanecendo no rosto. A sujeira havia vencido. Sua fogueira havia apagado naquele exato instante.


Mirando o céu sem estrelas, desejou por um instante que tivesse coragem de andar até aquela janela...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Adeus

Ele estava errado.

Vivia uma vida de mistérios e segredos para consigo mesmo. Escondia de si os segredos mais sórdidos que tinha. Colocava atrás das maiores muralhas feitas pelos seus medos e fracassos os seus maiores descontentamentos. Guiava-se por meio de uma bússola falha, composta por ideais falsos que não eram seus, que apontavam para um lugar que ele até gostaria de chegar, mas que lhe seria tão vazio quanto seu corpo neste exato momento. Abria-se totalmente para os outros, mas mantinha-se fechado para sua própria consciência. Sentia cada vez mais o desprazer do erro em sua vida, e isso apenas  o deixava pior.

Ele não tinha perspectivas.

Vivia de modo perdido. Um estranho em seu próprio mundo. Tinha o mapa em sua frente, feito por ele mesmo, mas não conseguia ver mais do que uma série de borrões disformes, que ele interpretava como apontarem para uma região onde estaria a sua salvação. Nunca passou de um engano, pois ele repetira o caminho por toda a sua existência, e em nenhuma vez ele chegou sequer perto de estar salvo. Pelo contrário: O maldito mapa sempre teimava em lhe indicar os seus medos na hora que ele menos precisava. Era até engraçado, pois quando ele os procurava, jamais achava, mas sempre dava de cara com eles nas piores horas.

Ele não gostava de si.

Odiava-se infinitamente. Não sabia exatamente o porque, apesar de ter a resposta sempre dentro de si, provavelmente escondida ou perdida. Não se entendia: Tinha planos perfeitos para todas as situações, porém jamais conseguia executá-los da maneira que queria. Por vezes sequer conseguia por eles em prática. Enquanto permanecia desperdiçando seu intelecto e vontade nesses planos sem êxito, odiava-se cada vez mais por não conseguir sair desse círculo vicioso de falhas e mais falhas. Era vítima de uma cruel auto-sabotagem. Sentia uma ódio por si tão intenso que poderia até senti-lo em seu corpo, tomando-lhe lentamente as forças. Mas somente as perdia quando, insistentemente, tentava matar aquele outro que via sempre que olhava para algum maldito espelho.

Ele era depressivo.

Pessimista. Vivia de modo a odiar o hoje, amaldiçoar ontem e fugir do amanhã, em tentativas tão fracas e deploráveis que apenas caía novamente na prisão que era ter que lidar novamente com seus ontens de falhas, com seus hojes de ódio e com seus amanhãs temerosos. Sentia-se como se estivesse afundado num poço de sofrimento, dor e tortura, onde não conseguia fugir nem nadando, mesmo tendo tal habilidade. Como se fosse o poço inteiro que o puxava para baixo, lançando suas garras vis sobre aquele corpo já quase inerte e semiconsciente, mas ainda vivo, apenas para sofrer, ele afundava. Na verdade não era o poço puxando ele. Era sua própria falta de vontade em viver que o levava para baixo, num desejo inconsciente de encontrar o seu fim de uma maneira simples e que não lhe causasse mais do que uma simples ilusão, para usar de desculpas ao entrar no prestar de contas sobre o que fez para se salvar com sua perturbada consciência ávida por respostas plausíveis e reconfortantes.

Ele estava morto.

Morto por dentro. Sua alma já havia ido muito antes que ele. Sua essência havia se dissipado num pequeno vórtice de vazio e desespero. Não sentia mais nada além do ódio comum e conhecido por si. Nem a depressão terrível o afetava mais. Estava tão profundamente entranhada nele que já não conseguia encará-la mais como um sentimento, apenas como um padrão de comportamento, um meio de vida, um impulso que o guiava através das cortinas negras que eram sua vida, um constante velório pessoal em memória ao seu desvanecido eu, que nem ele mesmo teve a chance de conhecer como realmente fora um dia. Se é quem algum dia aquele pedaço de nada destruído se manifestou como alguma coisa visível neste mundo. 

Ele estava sozinho.

Só. Mais ninguém andava com ele. Seu caminho era como uma avenida, onde ele via todos os seus fracassos estampados em cartazes enormes, que desciam de prédios colossais, desde seu ápice até cair no chão e rolarem pelo cimento frio. Nada era colorido, um marasmo preto e branco que dava um tom de infinitude à todo aquele ambiente inóspito que era sua vida. As vezes via alguma luz, um lampejo, talvez uma viva alma que sem querer cruzou aquele caminho amaldiçoado e esquecido. Mas ele não via mais. Seguia em frente, pois era o único caminho, e nada poderia fazer contra. Seguia em frente, pois o que já havia passado era sufocante e desesperador. Seguia em frente, principalmente para não desaparecer no meio daquela imensidão ameaçadora.

E ele assim vivia.

O engraçado era que todos o viam. Ninguém parava para cumprimentá-lo. Ninguém lhe dava a atenção que merecia. Ninguém se importava. Nunca. Jamais.

Seus amigos já haviam sumido, sem deixar rastros. De forma inteligente até, já que saberiam que ele poderia segui-los, e a única maneira de se livrar dele era sumir sem deixar vestígios.

Sua família já lhe considerava adulto, um homem feito. Capaz de se virar sozinho. Era engraçado, pois parecia que ele também poderia ser capaz de gerar o carinho e atenção dos quais necessitava para viver.

Seus amores nunca existiram. Uma, apenas uma, parecia que até o via. Bem, parecia. Ignorava-o de forma que só via o quer queria ver, como se o errado fosse ele. Como se não tivesse perspectivas. Como se não gostasse de si. Como se estivesse depressivo. Como se estivesse morto. Como se estivesse sozinho.

Mas ele não estava.

Jamais esperem que ele se despeça.

Pois quando ele sumir, será para nunca mais voltar.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Escute o Silêncio.

O que as vezes pode até parecer impossível torna-se visível quando a situação demanda que sua necessidade se faça presente.


Até que você precise, você jamais irá entender qual o significado do silêncio em sua vida.


Isto assim é porque o silêncio é visto somente como a ausência, quando na verdade também pode ser a manutenção da presença.


Pedras, árvores, gramados, animais, mares, lagos, oceanos, o céu... Tudo isto mantém-se em silêncio o tempo todo, nem por isso se tornam esquecíveis ou ignoráveis. Pelo contrário. Lembra-se às vezes mais do céu, do mar e das florestas, do que aqueles que vivem a falar todos os dias para os que escutam, mas não ouvem.


A resposta mais arrebatadora as vezes não vem de palavras intensas ou ofensivas, mas de um simples momento de silêncio, que pode ser mais fatal que a mais terrível das frases existentes. 


A música mais bela as vezes não vem de uma sinfonia bem arranjada, composta por um gênio tão comum quanto eu ou você, mas sim da total falta de sons, ritmados ou não, belos ou não. Apenas o fato de tudo que transgride o silêncio sumir de uma vez só e deixar o verdadeiro belo se manifestar é o suficiente para vislumbrarmos, por um breve momento, a verdadeira razão para o silêncio ser a mais bela das canções.


A contemplação mais bela da natureza não é feita quando há alguém lhe mostrando o caminho, quando há algo a mais entre essa percepção, quando tem que se fazer um esforço forçado e doloroso, mas sim quando não há nada para atrapalhar, apenas o silêncio regendo sua orquestra secreta, nos guiando para a iluminação da percepção de um momento verdadeiramente real e sublime.


É difícil, complicado, por vezes impossível. Mas, às vezes até mesmo em meio ao caos de mil diferentes sons, podemos escutar o silêncio. 


Ele grita. Ele chora. Ele berra. Irrompe do meio de tudo que o acoberta para se mostrar ali, presente, digno de ter um pouco de atenção dada a ele. 


O problema não está em ouví-lo, e sim em saber como se faz para ouvir algo que passa desapercebido.


O silêncio nem sempre vem na forma da falta de som.


Assim como todos pensam, o silêncio é também a ausência.


Mas não é só a ausência ordinária que é  passada de um para o outro, como se fosse a simples falta de sons.


As vezes não ouvimos o silêncio do outro.


As vezes não ouvimos o silêncio das coisas.


E nunca ouvimos o nosso próprio silêncio.


O castigo por cometermos tamanho erro é deixarmos passar a resolução óbvia de grande parte de nossos problemas. Não ouvir, não prestar a devida atenção, não ceder - seja tempo, boa vontade ou amor - a um outro alguém que precisa, ou até mesmo a nós mesmos, nos faz não ver que os nossos problemas nascem muitas vezes dessa negligência.


Negligenciar o silêncio é negá-lo de uma forma tão triste que chega a ser estúpida.


Portanto, escute o silêncio. Dê a si mesmo um momento consigo. 


Longe de pensamentos, longe de preocupações. Medite. Entre em contato com o seu mais profundo eu. Alheio a crenças, opiniões, conjunturas, fé, o que for. Escute o que você tem a dizer a si mesmo. Se acredita que tem uma alma, escute-a. Se acredita que é energia pura, sinta ela fluindo em você. Se acha que só existe sua mente, esqueça o que há nela e cave bem fundo na mesma, até se perder dentro de você.


E escute o silêncio.


E então, escute tudo à sua volta.


Escute como cada pausa entre a fala das pessoas gera um momento de equilíbrio entre tudo. Escute como a natureza mantém seu ritmo incessante, mesmo com o interferir constante dos humanos. Escute como entre cada nota de musical há um breve momento onde o som se dissipa, e entre todas as outras notas, de todos os instrumentos, surge uma unidade incapaz de ser percebida com um exame superficial da vida. Perceba que o silêncio está por trás de cada som, como o antagonismo dele, arraigado nele, colado nele, como a outra face de uma moeda, porém esquecida. Sem um não há outro.


E então, quando perceber isso, escute o silêncio do outro.


Dê-se a oportunidade de observar como as pessoas preferem o silêncio à dizer algo concreto. Perceba como abandonar uma conversa as vezes é um modo de deixar claro que ela continua, mas não com palavras, e sim com sentimentos, manifestados por gestos e maneirismos. Entenda que não responder é também uma resposta. Vislumbre a infinita capacidade de uma pessoa de não lhe dizer nada com palavras, mas te fazer entender tudo com um silencioso e discreto olhar.


Quando entender isso, quando finalmente tiver escutado o silêncio, você achará a resposta.


Mas não ache que ela deva ser compartilhada. Não da forma comum, não como normalmente faríamos. Porque a verdadeira compreensão do que é escutar o silêncio através da torrente inimaginável de infinitos sons não é traduzida por simples palavras, mas pela experiência de um outro momento de igual profundidade, como o anterior.


Então, olhe para a pessoa. Toque-a se quiser, de maneira delicada.  Já entendeu o seu silêncio, o silêncio das coisas e o silêncio dela.


Passe tudo o que você aprendeu sem dizer uma palavra sequer.


E não se esqueça, jamais, de escutar o silêncio.


"It truly makes the most beautiful music.


Everything it has to give.


It's everywhere hidining the listener.


Without it, I could not live...


Silence."


Sonata Arctica - ... of Silence

Descrição do Mês

Essa postagem é para inaugurar a nova sessão do Blog, a Descrição do Mês. 

É bem autoexplicativa (ou seria auto-explicativa?). A cada mês eu e a Dona Inconstante faremos uma descrição nova, alternando entre o autor. Nesse mês de Novembro serei eu, e ela já está postada. Para o próximo mês, Dona Inconstante fará uma nova. A idéia é sempre renovar, já que não somos constantes, né?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Prisão de Ferrugens




Samuel dirige em alta velocidade, quer logo acabar com isso, ele passa a mão na testa para tirar o excesso de suor, o rádio do seu carro liga e ele pode ouvir em meio aos chiados uma voz feminina:

-“... Por favor, venha rápido, eu não posso mais suportar... Eu sinto que estou enlouquecendo...”

-Não se preocupe! Eu estou chegando! Já estou na estrada velha passagem!


-“... Vai acontecer de novo... “


-Calma! Não vai acontecer nada! Continua falando comigo!

Ele pode ouvir apenas chiados e logo depois o rádio desliga:

-MERDA!!! - Ele grita dando um soco no volante! – Eu só quero acabar logo com essa porra!

Há duas semanas atrás foi quando tudo começou, Samuel acordou em uma manhã com o rádio chiando e em meio aos chiados a voz feminina falando, de inicio ele pensava que era algum tipo de novela via radio, mas depois percebeu rádios ao seu redor ligavam e a voz da mulher falava, logo percebeu que ela podia ouvi-lo, sempre pedindo ajuda e gritando, também ouvia sons bizarros às vezes. Ela chama-se Leila e fala estar presa nas ferrugens da estrada velha passagem. Não agüentando mais os sofridos pedidos de socorro Samuel decidiu partir sozinho ao encontro da mulher, ninguém acreditaria nele...

-Isso vai acabar essa noite! Tem que acabar!

O rádio liga novamente, ele pode ouvir a voz:

-“...PARE!”

Ele freia bruscamente.

-“...a sua direita...”

Samuel olha a direita e vê apenas a mata fechada, e diz:

-O que tem?

-“...estou aqui...”


Samuel pega uma lanterna e entra mata a dentro, balançando a lanterna para todos os lados enquanto desce, grita:

- LEILA? VOCÊ ESTÁ AQUI?

Ele não precisa de uma resposta pois avista mais a baixo um carro virado bem amassado, ele corre em direção ao carro, ela pode estar ali dentro, precisa estar, ele não suporta mais os pedidos, os choros, os gritos de horror...

Ao se aproximar o suficiente do carro ele olha pela porta, está escuro lá dentro e antes de colocar a luz da lanterna ele leva as mãos ao rosto e se afasta, tem um cheiro podre saindo pela porta do carro, logo ele se recupera e volta à porta, coloca a luz da lanterna dentro do carro e ouve um grito de horror, duas mãos vão em direção a ele segurando-o e o puxando para dentro do carro, Samuel sente sua cabeça bater, ele fica tonto mas logo volta a si, ele dá um grito de dor ao sentir que há algo enfiado em sua barriga, ao olhar ver que é um pedaço do carro que está nele, sente cortes por todo o corpo e percebe estar de cabeça para baixo preso ao cinto de segurança, ao olhar para o lado ele vê ele mesmo do lado de fora do carro com a mão no rosto chorando e dizendo:

- “Desculpa! Por favor desculpa! Eu não queria mas essa é a única saída... Você é prisioneiro das ferrugens agora, não faça muito barulho eles vão escutar você.”

Após falar isso vai embora, Samuel não entende, como aquilo é possível? Uma pessoa igual a ele? E como ele está ali preso? Ele tenta tirar o cinto de segurança mas não consegue, fazendo apenas bastante barulho, a dor é enorme, de repente ele ouve um som no meio do mato, ele olha pelo retrovisor um pouco quebrado e consegue ver uma coisa vindo em direção ao carro, ele não conseguia ver direito só conseguia ouvir os sons, agora de gritos, que animal poderia soltar um som tão bizarro? O rádio liga e ele ouve o som de crianças brincando, o carro começa a tremer e os sons de gritos aumentam, Samuel grita de horror:

-SOCORRO!

Do radio ele ouve uma voz feminina:

-...Amor foi você que ligou esse radio?...


-...Estranho e que sons mais esquisitos, vou desligar


-SOCORRO ALGUEM PODE ME OUVIR?


O rádio desliga, e ao olhar para o lado ele vê pela janela a coisa mais horrível que já viu na sua vida, algo que nem mesmo os seus pesadelos poderiam criar...


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sacrifício

Ela corria para o destino dela. Estava extremamente atrasada. Mantinha em mãos apenas o celular dele, que ficara com ela devido à corrida e à confusão da última briga. Segurava o aparelho com força, já que ele tinha dito para não deixá-lo cair de jeito nenhum. O seu coração batia muito forte, de modo que não conseguiria aguentar mais aquela corrida por muito tempo. Parou, então, subitamente, encostando-se à uma árvore, curvando o corpo Estava muito ofegante. O suor corria por sua pele levemente morena, seguindo o contorno do seu rosto lentamente, indo parar na ponta do pequenino nariz, ligeiramente arrebitado. Isso a fez sentir cócegas, levantando a mão para coçar, olhando para o céu sem querer.

O tempo estava fechando. Nuvens negras cobriam os céus como um manto, seguindo uma marcha lenta e irrefreável. Ela ficou mais nervosa, já que uma chuva agora só a atrapalharia, ainda mais forte como parecia que viria. Tinha que correr o mais rápido que podia para o aeroporto, já que o voo não esperaria por ela, e ela tinha que pegá-lo. Bufou de raiva e então tirou os tênis, segurando-os pelos cadarços com seu dedo indicador. esquerdo. Apertou com força contra o corpo a bolsa que segurava e ajeitou a enorme mochila que estava em suas costas, e voltou a correr, procurando evitar buracos ou outras coisas perigosas. Precisava correr antes que descobrissem ela.

Olhava para os lados apreensiva. Tinha muito medo de estar sendo seguida. Odiava com todas as forças que tinha o fato de ser filha de um importante juiz daquela cidade. Era algo tão ruim para ela que tinha que viver cercada por seguranças, para onde quer que fosse. Tinha que ter os amigos fichados por detetives previamente contratado. Tinha que ter a vida monitorada 24 horas por dia. Mesmo ela sabendo que tudo isso era para o seu bem, ela preferia que fosse diferente. Preferia ser pobre. Ter uma vida mais limitada, mas muito mais livre que esse cárcere no qual ela vivia.

Os seguranças não a deixavam fazer nada. Implicavam com tudo. Eram boas pessoas, dedicadas ao trabalho, mas infinitamente exagerados e super protetores. Os tais detetives as vezes exageravam também. Numa dada vez os seguranças implicaram com um garoto estranho, para chegarem a revistá-lo, só para ver que ele carregava uma arma de brinquedo na mochila, parte de um jogo de videogame. Por último, o monitoramento de sua vida impedia que ela conhecesse pessoas novas, já que demorava para os tais detetives levantarem a ficha do sujeito. Mas o pior não era nem isso.

Ela havia se apaixonado por um garoto da escola, que  havia conhecido não faziam nem dois meses. Fora algo à primeira vista, avassalador. O pequeno coraçãozinho daquela adolescente não conseguia aguentar tanto amor. Sorte a dela que fora algo recíproco. Ele, o garoto, admitiu já estar de olho nela há um tempo. Quando finalmente conseguiram se encontrar -escondidos, diga-se de passagem - declararam-se um para o outro. A felicidade de finalmente ter um namorado, alguém com quem pudesse dividir suas mágoas e alegrias, mesmo que essas sendo escassas, foi o suficiente para ela mal ligar para a briga que teve com o pai por ter ido escondida para o encontro.

E, infelizmente, justo o que havia dado a ela a felicidade que faltava em sua vida lhe trouxera também a maior das suas tristezas.

Depois daquele dia, a vigilância ficou mais intensa. Os detetives do pai dela resolveram levantar a ficha do tal "namorado". O pai, além de brigar com ela, começou a implicar com o novo namorado, dizendo que, além de ser perigoso ter uma relação tão íntima com um estranho, ela ainda não tinha idade - tampouco permissão - para começar a namorar. Isso a deixou tão mal que a única coisa que pensou foi em ir encontrar o namorado.

Este fora o segundo passo dado por ela para o desastre em sua vida.

No dia que resolveu sair para vê-lo, de surpresa, foi assaltada na rua. Mais que isso, não só fora assaltada como ameaçada de morte. Levaram-na para um beco escuro, rasgaram sua roupa e quase abusaram dela, deixando-a rendida enquanto que, na base de tapas e gritos, um homem mandava ela avisar para seu "papai" que era para parar de se meter onde não havia sido chamado. Além de perder tudo e ser quase estuprada, saiu machucada, sangrando, com o rosto inchado e completamente arrasada. Como se fosse pouco, ela ainda chegou em casa e levou uma bronca maior ainda, para depois ir para o quarto e ser solenemente ignorada pelo namorado.

Estava no fundo do poço, mas estava para piorar...

Num determinado dia, antes de ir ao colégio, brigara mais uma vez com o pai, que insistia que o problema era aquele garoto, que ele devia ter algo a ver com a ameaça. Como eles sabiam que ela estaria naquela rua, àquela hora, que era ela a filha de um importante juiz que julgava um caso que corria em segredo de justiça? Tinha de ter um informante, e só podia ser "aquele pirralho". Ela reclamou muito, dizendo , como força de expressão, mas extremamente mal entendido pelo pai, que ele sabia da vida dela mais do que ele. Ao invés de soar como se o pai pouco se importasse com ela, pareceu que a garota disse que o namorado sabia demais sobre ela. Isto fora a gota d'água que faltava para o pai. Os detetives se empenharam como nunca em levantar os antecedentes do garoto.

Naquele mesmo dia, no colégio, ficou o dia todo procurando pelo namorado, que sempre não podia falar com ela ou estava ocupado. Ao fim das aulas ela encurralou-o, desvencilhando-se dos seguranças mais uma vez, fazendo um sacrifício enorme para ver o seu amor...

E justo quando lhe disse isso, ele enfureceu-se, dizendo que ela na verdade pouco fazia por ele. 

A coitada desabou. Como assim? Ela fazia demais por ele! Defendia-o, amava-o, brigava com o pai por ele, preocupava-se com o garoto quanto ao colégio... E ele dizia aquilo? Não podia ser verdade... Enquanto as lágrimas corriam pelo rosto perfeitamente delineado e belo, ele bufou uma última vez no meio daquela briga e pôs as mãos nos ombros dela. Levantou o rosto da menina com um dedo e olhou-a nos olhos profundamente, com um ar de seriedade que até fez ela parar de soluçar.

"Precisamos conversar. Este domingo. Fique com meu caderninho e venha até minha casa, se puder. Se não, corra, para o mais longe possível, ok?"

Rapidamente ele se despediu com um longo e demorado beijo na boca, que ela entendeu como sendo possivelmente o último. Correu para as amigas e misturou-se a elas, como se ela tivesse demorado por ter ficado com elas. Isso enganou os seguranças, que nem ouviram ela contando para as amigas tudo o que havia acontecido. Naquele dia, para manter o teatrinho, as garotas foram até sua casa, e lá ela lhes explicou melhor. Pelo visto, ele queria que ela fosse invariavelmente, não importando se haviam seguranças atrapalhando ou não. As amigas foram contra, mas ela estava cega de amor. Só não conseguia entender a parte de correr, porém esperava que ele se explicasse...

Os dias foram passando, normais. Ela estava bem de novo com o namorado. Tudo certo, ele até havia tido vontade de ver o pai dela, conhecê-lo, para dizer que era um bom garoto, apesar do que parecia. Ela adorou a idéia, mas toda vez que comentava  como queria o encontro dos dois, ele lembrava-a de que ainda precisavam conversar na semana seguinte, não importava o que poderia acontecer. Ela ficava apreensiva, e ele explicou que queria isso porque, se os dois viessem a terminar, ele queria já ter um encontro marcado com ela, para um acerto de contas, já que sabia que uma ida à casa do pai dela poderia significar o fim. Ela assustou-se com a esperteza dele e beijou-o, agradecendo pelo fato dele ser tão atencioso. Então perguntou a ele porque tinha que correr. E ele apenas respondeu que, se ela não o quisesse mais, era para simplesmente correr dele e esquecê-lo. Ele falou de modo bobo, sem graça e incerto, e ela não engoliu a explicação. Porém ela precisava ir para casa, e os seguranças chamavam. Para evitar mais brigas, eles se despediram, e lá foi ela.

Foi falar com o pai naquele dia, sorridente. Porém foi recebida a gritos de nervosismo e raiva. O pai não só repudiava a idéia, como queria o garoto longe de sua casa. A coitada ficou sem entender, até que o pai lhe esfregou na cara um envelope cinza, além de manter segurando um envelope de carta. No envelope cinza havia um dossiê, feito pelos investigadores, sobre seu namorado. O conteúdo era terrível.

Mal sabia ela que os detetives haviam descoberto que o seu namorado era sobrinho de um homem que estava preso sob ordens do pai dela. Não sendo só isso para atrapalhá-la, ele, ainda por cima, tinha tido uma ótima relação com o sobrinho, tratando-o como um filho que nunca teve. Este homem era um traficante perigoso, que comandava toda a distribuição de drogas daquela cidade, fora outros negócios escusos. Para piorar, fora justamente quando ele foi preso que o garoto mudou-se para a escola onde ela estudava. Tudo se encaixava de uma forma assustadoramente certa...

Para somar-se à torrente de tragédias, o pai deu a ela o envelope de carta, entregue a ele no dia que ela havia sido assaltada e ameaçada. Ele continha uma folha em branco com recortes de letras, que juntas formavam uma frase assustadora.

"Não se meta onde não é chamado, ou pode acabar perdendo sua querida princesinha, toda machucada...

Ou pior."

Ele ainda tinha numa gaveta um gravador, que continha uma fita com grampos da polícia onde pessoas tinham ligado para ele por três vezes para ameaçar de sequestrá-la.  Todos os dias foram os que ela havia se desvencilhado dos seguranças... Para estar com o namorado.

Seu mundo havia caído. Apenas assentiu com a cabeça para o pai, em silêncio, e foi para seu quarto.

As memórias pararam de passar em sua mente quando avistou o aeroporto de longe, após um grande campo coberto por grama e umas poucas árvores. Era para lá que tinha que ir, o último lugar onde poderia se refugiar. De fato, só sabia que havia um aeroporto depois da reserva florestal porque, no caderninho que estava em sua mochila e que havia sido deixado pelo seu ex, havia um mapinha desenhado à mão, indicando a localização e as referências. Ele fazia trilhas por ali, então sempre anotava estas coisas para não se perder. E ela agradeceu aos céus pelo caderno dele ter ficado lá. Isto a fez ficar triste e lembrar-se novamente do ocorrido antes de star naquela situação.

No dia depois de ler o dossiê e ver a carta ameaçadora, começou a evitar o namorado. Tinha agora medo dele. Sentia que não mais o conhecia... Chegou até mesmo a conversar com um outro garoto, que entrou na escola na mesma época que seu "namorado", e que curiosamente também havia se interessado nela. Este chamou-a para sair mais tarde, algo que ela fez questão de aceitar na frente do namorado, em pleno pátio do colégio, no horário de saída. Após uma crise de ciúmes dele, ela simplesmente levou-o para um canto e, sendo o mais direta possível, falou para ele da forma mais seca que encontrou.

"Eu já sei quem você é."

Ignorando os gritos de protesto dele, ela deu-lhe costas, enquanto que ele lhe chacoalhava os ombros e pegava em sua mochila, balançando-a. Seus seguranças, ouvindo os gritos, adentraram no pátio, separando os dois. Ela, de forma fria, deu a mão ao menino, tremendo, mas ignorando o choro desesperado do seu amor, que só conseguia gritar, de forma triste e lamentável, "Não se esqueça do meu pedido! Domingo, por favor! Não passe das 10!".

Depois da saída e de ir ao encontro com o garoto, mal lembrava-se do que tinha acontecido consigo. O incidente do horário da saída e a briga com o ex haviam sido numa sexta, e naquela tarde era fora sequestrada levando uma pancada na cabeça enquanto andava com o garoto novo. Ficou em cativeiro pela sexta a noite e pelo sábado todo, até que viu em sua mochila, num dos raros momentos de lucidez - havia ficado sem comer por todo aquele tempo - , o celular do ex namorado. Ligou para ele desesperada, que não atendeu. Com medo, ela apenas chorou, até que ouviu uma voz parecida com a do ex. Ao ir até a porta, esta se abriu, mas ninguém estava do outro lado. O cativeiro estava vazio. Ela agradeceu infinitamente por ter delirado em ouvir a voz do ex, e então seguiu cativeiro adentro.

Quando passou por uma saleta vazia, apenas com uma tv ligada, ouviu o noticiário. Caiu de joelhos ao ver que a manchete era que o carro de seu pai havia sido metralhado completamente por um carro, e que os criminosos haviam fugido. Mais que isso, a manchete seguinte era sobre seu sequestro, e os principais suspeitos eram seu ex namorado e o garoto que havia saído com ela. Na reportagem, dizia que o ex estava foragido, mas que o outro havia sido preso, tendo confessado ser na verdade parte da quadrilha do tio do seu ex, apenas tendo entrado no colégio dela para sequestrá-la e tirar o pai dela do caso que julgava. Porém, algo na quadrilha dera errado, e além dela ter sido sequestrada, resolveram por executar o pai dela, e em seguida vendê-la para alguma quadrilha de prostituição no exterior. Não aguentando mais ouvir aquilo, correu o máximo que pode para uma reserva florestal perto dali, sem nem olhar para trás, esquecendo até de agradecer pelo descuido dos sequestradores.

Correu até a floresta e então, duas horas depois, parou para descansar. Chorou por uma meia hora, mas logo decidiu se acalmar e dar um jeito de fugir dali. Eram 10 horas da manhã de domingo, e ela mal sabia onde estava. Tinha apenas a mochila, e resolveu ver se ali tinha algo. Enquanto remexia à procura de um sanduíche que sabia que tinha de estar ali, viu um caderninho do ex namorado. Lembrou-se de tê-lo pego na quinta feira, antes de descobrir o que ele era. Gritou de felicidade quanto viu vários mapas das trilhas que ele fazia com amigos por aquela região, sendo um deles levando diretamente de um ponto por onde ela havia passado na fuga até um aeroporto próximo. Apertou o caderninho contra o peito, o que fez um pequeno papel dobrado cair no chão. Olhou-o e surpreendeu-se com o que era.

Uma passagem de avião para uma cidade próxima, tendo grampeada em si 5 notas de cinquenta reais.  Olhou o destino e viu que era para a cidade onde alguns parentes seus moravam. Arregalou os olhos e assustou-se. Logo lembrou-se de ter dito ao namorado que lá morava uma avó sua, e que ia sempre para lá nas férias. Com os olhos cheio de olheiras, correu até o aeroporto, disposta a fugir da cidade o quanto antes.

Chegou então ao aeroporto, vendo tudo o que tinha acontecido com ela até agora passar por seus olhos. Segurava a passagem em uma mão e o celular do amado, ainda confusa por ter tudo aquilo preparado para uma fuga dela. Até que então entendeu que era tudo perfeito demais. Parou no meio do aeroporto, olhando para o nada. Usava um casaco com capuz que cobria sua cabeça. Enquanto sentava e pensava, olhou para uma televisão. O jornal falava sobre o caso do carro do pai dela baleado, dizendo que o juiz estava bem, respirando, mas apenas preocupado com a filha. 

Com as lágrimas nos olhos, quase não viu três homens entrando no aeroporto, sendo um deles seu ex namorado. Levantou-se confusa e correu para o terminal de embarque. Correu o máximo que pode, enquanto eles percebiam a presença dela e começavam a correr para onde ela estava. 

Chegou ao terminal de embarque e guardou o dinheiro preso às passagens, entregando para a mulher o papel e entrando. Correu enquanto pode, e quando entrou no avião, pode ouvir tiros sendo disparados pelos homens em direção a ela. Os seguranças do aeroporto responderam também a tiros, enquanto ela corria pelo corredor da aeronave. Tropeçou nos próprios pés e deixou o celular do amigo cair no chão. Entre a tampa da bateria e o aparelho, viu um pedaço de papel. Sentou-se em sua cadeira, do lado da janela que dava para o terminal. Lá, podia ver o ex, pulando em cima de um dos homens para atrasar sua fuga e tomando um tiro. Então, ele ficou caído no chão e com o braço sangrando. Ela começou a chorar e então o avião levantou voo, enquanto ela batia na janela, gritando, deixando o papel com a letra escrita a mão cair no chão, com os dizeres quase ilegíveis.

"Amor;

Eu descobri o que aconteceu. Cuidado, pois há em nosso colégio alguém que quer sequestrar você. Eu sei porque descobri ao começar a andar com ele. Não te direi quem é, mas farei com que não ande com ele. Ele é perigoso. Ele tem um sobrenome igual ao meu, mas nem meu parente é. Porém o tio dele é perigoso, e está envolvido com seu pai no caso que ele julga. Ele está aqui a mando do tio para sequestrar você e tirar seu pai do caso. 

Se você for sequestrada, espero que leia isso e pegue a passagem que deixei junto ao meu caderno. Você já deve ter me confundido com o verdadeiro informante... Mas enquanto estiver bem, eu ficarei feliz. Eu sei exatamente quando o sequestro será feito, por isso, se eu não conseguir te proteger dele, corra o máximo que puder, como eu havia te dito naquele dia... Não importa o que acontecer comigo, eles estão atrás de você, então fuja. Eu já sei quem é o informante, por isso ficarei com ele até o maldito ser preso. Tentarei estar no aeroporto no dia da sua fuga. Se eu não te ver, eu darei meu jeito de ir te salvar no cativeiro. Não pude estar lá, seus seguranças já estavam na minha cola... Mas eu armei toda a sua fuga. Se você estiver lá, eu cobrirei você, de longe. Espero que você fique bem...

Este foi o meu sacrifício para você, pelo seu bem.

Eu te amo."


domingo, 1 de novembro de 2009

O Labirinto.

Era tudo o que ele jamais conseguia enfrentar. O maldito labirinto.


Ele era estranho. A angulação das paredes era tortuosa. De um lado, se você olhasse, pareciam ângulos obtusos, como se as paredes caíssem para trás, abrindo caminho... Mas logo após esse vislumbre esperançoso de saída, elas pareciam estarem agora regidas sob ângulos agudos, como se se fechassem, e mantivessem o labirinto mais sem saída do que já parecia. 


Tudo ali era penumbra. Ao mesmo tempo que uma fraca luz vinha de cima, de não se sabe onde, ela se tornava bruxuleante e trêmula, como se sempre estivesse prestes a se apagar. Aquele fio de esperança, um cair de luz sobre as trevas inquietas daquele lugar sinistro, logo era rompido, já que as vezes parecia que a luz era engolida por toda aquela escuridão nefasta, e não que se perdia ao resvalar nas paredes, gerando as sombras tão temidas e cegantes.


O ar era úmido e frio, assim como o chão de terra e as paredes de rocha. Isso dava uma sensação parecida com a de um calabouço. Não que ele já estivesse estado em um, mas sentia-se como se tudo aquilo existisse sendo uma prisão, de onde jamais poderia - ou deveria - sair. Exatamente como um calabouço era. A pedra das paredes era gélida, e o toque lhe causava arrepios. Os limites daquela existência dele eram sempre assim, machucavam, causavam dor, sofrimento, medo, mal-estar... Uma torrente de malefícios que só podiam ser lembrados, sentidos e contabilizados por ele devido ao recorrente reaparecer deles em sua vida. O labirinto era seu cárcere, e aquele mal que o cercava eram as grades.


Por fora ele sempre podia ver sombras e vultos. Nunca tinha conseguido ver eles de fato, mas sabia que os andarilhos podiam vê-lo perfeitamente. Eram enormes, amedrontadores, disformes, e ainda assim ele conseguia ver algo ali. Uma massa amorfa de caos contida numa forma perfeitamente compreensível. Vagavam pelas paredes como se corressem por elas. Deslizavam sempre silenciosos, furtivos e seguros, mantendo uma sutileza sinistra. Mas, mesmo sutis, sua grosseria era sempre visível, de uma forma ou de outra. Como monstros envoltos em uma aura de calmaria. Como aberrantes criaturas fantasiadas de pessoas. Como lobos em pele de cordeiro. Em pele de pastor. As vezes até mesmo em pele de gente. 


Se o labirinto era o cárcere e as barras de ferro eram as paredes e o chão, os carcereiros eram tais sombras. Sempre furtivas, elas iam e voltavam, sempre a intervalos regulares, porém nunca no mesmo tempo. Era anormal a forma com a qual elas lidavam com ele. Chegavam perto, sempre invisíveis, jamais mostrando sua real aparência, mas sempre escancarando o que eram. Pareciam na verdade um código, tão óbvio quanto complexo. Ele sabia como decifrá-los, mas nunca conseguia. Ou nunca queria. Mas ele jamais iria saber.


Seus carcereiros - não se sabe se gentis ou cruéis verdadeiramente eram - alimentavam-no sempre. Não de forma adequada: Sempre davam o suficiente para ele não morrer de fome, porém sempre dando o necessário para que esta se instalasse novamente nas vísceras dele, retomando o ciclo de sofrimento de estar sem o sustento necessário para sobreviver àquele lugar. O pior de tudo é que o alimento ali era escasso. Pelo menos assim parecia. Ele alimentava-se da luz, que lhe era a esperança naquele lugar negro. Ela, vindo fraca dos céus, mal conseguia alimentá-lo. A que caía sobre ele era roubada pelas trevas que o rondavam, acabando por apenas funcionar como uma gota de água dada a um sedento no meio de um deserto escaldante. Logo, o único modo de ter a quantidade que precisava de esperança era aceitando-a de seus carrascos. Era engraçado como a única coisa que mantinha sua fraca sobrevida era justamente o que garantia aquele sofrimento todo. A esperança deixava-o vivo e consciente, mas matava-o dia após dia.


Parecia, na verdade, que não era alimentado de fato. Parecia, na verdade, que ele recebia os restos de luz que aqueles vultos não queriam mais. Como se jogassem lavagem aos porcos, eles desperdiçavam ali tudo o que não queriam mais. Uma situação horrenda, visto que ele se alimentava - ou se matava, ninguém podia dizer - do que as sombras não queriam mais, ou não faziam questão de ter e lhe davam. Como um mendigo faminto a praticar sua mendicância cega em meio a uma avenida de pessoas esnobes, procurando apenas dar a ele o que ele queria como forma de expiar seus pecados para com sua moral - ou com ele mesmo.


O pior não era nem estar ali e ser alimentado - ou mantido vivo - por eles. O pior mesmo era não ser notado. Ele via os seres, mas estes não o viam. Nunca viam. Nunca o enxergavam. De fato as idas deles ali somente eram para se livrarem dos restos de luz - a esperança vã dele - e irem embora. Nem os gritos esganiçados de sua garganta, nem o bater frenético de suas mãos sujas de terra e pó, nem os gritos desesperados de dor pelas feridas, nada, absolutamente nada chamava a atenção. Ele nunca sabia se o que doía mais era a vida no limite da dor física e mental ou o abandono que sofria e a falta de perspectivas. 


As vezes, mas somente as vezes, um dos vultos via ele e lhe estendia a mão. Era como se ele se tornasse visível por alguns instantes. Porém, sempre dava errado. Ou ele estava em um estado de semiconsciência febril e delirante devido à falta de sustento, ou ele conseguia correr do canto daquele labirinto e chegar até a sombra. Porém, quando conseguia encostar na mão dela, quando a agarrava com todas as suas forças e se prendia naquele ponto de esperança mais estável que a luz que a ele davam, o vulto corria. Soltava-o com um safanão sem dó, jogando-o grosseiramente de volta ao labirinto. Fugiam dele ao ver o que ele era, e corriam de medo para purificar a mão, com medo de que se tornassem algo como ele, ou que absorvessem parte do que ele era.


As vezes ele pensava se, ao invés deles serem os vultos, ele que não era um deles.


As vezes ele pensava que os monstros não eram eles, mas sim ele.


As vezes ele pensava sobre se a verdadeira coisa aberrante ali era ele, e não o labirinto.


As vezes ele vertia tantas lágrimas por isso que lhe enrugavam o rosto e secavam suas vísceras.


Porém, mesmo com esse sofrimento todo, aquilo perdurava, dia após dia, semana após semana. 


Era assim que ele vivia. Era assim que ele era.


Era assim que era a vida dele.

sábado, 31 de outubro de 2009

Primeiro as Damas? Não aqui.

Primeiro as damas? Não, não aqui.

Bem, sou a Sra. Inconstante, como já anteriormente apresentada, e diga-se de passagem, a "titular" do blog e Dona do Sr. Inconstante (que está mais pra Sr. Constante, uma vez que eu sou quem "desequilibra" a relação).

Ao contrário dele, eu sou o lado feminino, gentil e delicado do blog. Complicado e totalmente perfeitinho. Não tenho a intenção de simplificar nada por aqui. A bagunça divertida fica a meu encargo.

Adoro comentários e críticas, detesto elogios, acho um tanto quanto constrangedores (portanto comentem, mas não elogiem muito, eu fico com vergonha...). Odeio regras e padrões, prefiro tudo no improviso . Parece mais prático, deixa tudo mais interessante, dinâmico!

Aaah, o lado poético ficará com o Sr.Inconstante, não sou muito fã de poesias e essas coisas românticas. Vou literalmente falar sobre tudo e coisa nenhuma. Do mesmo jeitinho que estou fazendo agora, afinal, o blog é pra ocupar o tempo livre... Ou não. Ainda não decidi isso. Podem esperar um pouco de tudo aqui, afinal ser inconstante mas cheia de conteúdo é o que faço naturalmente bem. Deve ser por isso que sou a Sra. Inconstante, ou só porque não consigo parar quieta com algo, alguém (só com o Sr. Incosntante) ou algum lugar.

Bem, por hora é isso, se não fico escrevendo demais e não termino a primeira postagem. Ainda não escrevi tudo mas com certeza escrevi coisa nenhuma.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Primeiro as Damas!

...

Ok, não foi assim.

Contrariando as expectativas comuns de todo mundo que faz um Blog, eu não vou começar dizendo porque eu fiz. Eu sou um convidado especial de uma pessoa muito mais especial, que ainda não postou, mas que logo o fará. Prefiro começar me apresentando.

Olá, eu sou o Senhor Inconstante, e sempre que postar aqui será sob este pseudônimo, dado a mim Dona Inconstante. Não perguntem porque, pelo menos não a mim.

Sou um troglodita, um poço de grosseria que não conhece os limites da sociedade hipócrita que vigora neste mundo. Profundo não é? Não se enganem, eu sou bem simplista. A parte complicada do Blog ficará a cargo da Dona Inconstante. 

Não gosto do que eu escrevo, e eu não consigo lidar com críticas sem me chatear muito antes de ouvi-las. Gosto de atenção e de elogios, de preferência aos montes. Gosto de ter o ego inflado. Muito.

Não tenho sobre o que escrever aqui, portanto eu vou escrever sobre tudo e coisa nenhuma ao mesmo tempo. Dona Inconstante e eu, como sugerem os pseudônimos, não seguimos um padrão de nada. Mentira, eu até sigo, mas ela adora enrolar a minha organização... Então, bem ao estilo "Se não pode vencê-los, junte-se a eles", eu resolvi não ter tema pra porra nenhuma também. Anarquizar é a lei por aqui. 

Eu gosto de escrever contos. Mentira, gosto de histórias grandes, mas usarei o Blog como "laboratório" para alguns meus. Também gosto de filosofar bastante, então discordem pra caralho, ok? (Menos você amor, você não vale.). Vou reclamar MUITO da vida, já que eu não suporto um monte de coisa que eu suporto diariamente. Talvez eu escreva algumas poesias...

Foda-se, to começando a padronizar...

Hora de entrar em cena nossa anfitriã, a tão citada por mim Dona Inconstante!

PS: Não escrevi nada com nada, mas logo eu escrevo algo. Só esperarem. Também eu vou deixar minha amada estrear a parte criativa e poética (ou não) do Blog, portanto não esperem nada artístico por hora.

PS2: Comentem, eu sou muito carente de atenção, admito mesmo.