" Uma das mais famosas psicólogas francesas causou polêmica ao defender, em um livro recém-lançado, que a infidelidade masculina é boa para o casamento. No livro Les hommes, l'amour, la fidélité ("Os homens, o amor, a fidelidade"), Maryse Vaillant diz que a maioria dos homens precisa de "seu próprio espaço" e que para eles "a infidelidade é quase inevitável". "
Essa notícia tem um bom tempo que foi lançada. Lembro de tê-la lido no jornal e, a princípio, ficar idiotizando por uns segundos até finalmente começar a pensar sobre o assunto de fato. Na verdade não foi nem questão de segundos, mas sim de dias. Eu a li e simplesmente ignorei, apesar dela ter ficado em mente. Depois, peguei o jornal novamente e li com calma, para de fato começar a ter nojo do que eu estava lendo.
Infelizmente a mulher é uma Psicóloga, e eu como um estudante de Psicologia ainda não posso sequer pensar em rebater os argumentos dela usando fogo contra fogo. Logo é tudo uma questão de opinião e alguns argumentos que me pareceram não passar pela cabeça dessa mulher quando ela resolveu escrever um LIVRO como praticamente uma salvaguarda para as traições vindouras nas vidas das pessoas desavisadas.
Ela diz que a traição para os homens funciona como uma espécie de "manutenção de um espaço próprio", e que este é inevitável para a manutenção de um casamento em si. E foi nessa parte que começou a me incomodar.
Tá. Biologicamente existem motivos para a questão da "infidelidade" masculina. Tudo bem, até podemos considerar. Na Evolução, a lei que reina é crescer, reproduzir e multiplicar a espécie. Dessa forma, você tem a criação dos haréns, onde os machos alfa dominam um grupo de fêmeas que ele usa para procriar. E, como a fêmea fica um certo tempo com a prole no útero, fica impossibilitada de procriar, mas o macho não. Então ele fica apto a copular mais vezes, aumentando o número de proles e voilá, a mágica está feita.
Tirando a parte do harém e adicionando uns oito meses para a gestação dos humanos, temos basicamente o mesmo processo: A nossa função é procriar, e por isso procuramos as unidades familiares menores (ou seja, os casais). Porém, quando a mulher engravida, o homem fica livre e inevitavelmente a natureza fará o seu chamado para procriar. E mesmo quando a parceira não engravida, mesmo que eles usem proteção, a regra é o macho espalhar sua "semente" no máximo de fêmeas possíveis, já que, apesar da falta da prole e da gravidez, é um sentido natural. Isso explica o fato dos homens serem naturalmente tarados, é um mecanismo para "forçar" o sexo e causar a reprodução.
Uma ressalva: Não quero expor as mulheres como passivas no processo. Elas também sentem tesão por mais de um homem, é perfeitamente normal. Porém com as mulheres há todo um ar de "emocionalidade", que na verdade é a resposta biológica da necessidade de um macho fixo para cuidar da fêmea. Voltando ao harém, onde um macho comanda várias fêmeas, ou aos núcleos familiares, onde temos um macho junto da fêmea e da prole.
Enfim, o que acontece é que, biologicamente, o homem até teria motivos para trair. Ainda mais na espécie humana, onde a gestação da prole é de 9 meses, fora o fato dela só poder se virar na nossa sociedade com certa autonomia com, pelo menos, uns 14 / 15 anos, o que ocasiona um laço maior entre macho e fêmea e, consequentemente um chamado natural à infidelidade cada vez maior. Logo, até seria plausível desse ponto.
Até agora parece que eu apenas confirmei o que a Psicóloga disse, mas é justamente nesse ponto que eu preciso chegar para discordar.
Ela cita que a fidelidade não é de fato natural, mas sim uma convenção social. E, por isto, não deveria ser encarada de forma tão radical.
É exatamente ai que o bicho pega e que eu me emputeço.
Sendo seres altamente sociais e sociáveis, e com o acréscimo do fato de termos uma sociedade tão complexa e intrincada que a natureza JAMAIS viu igual, beirando até mesmo o corajoso patamar de antinatural, nós humanos criamos outras condições, que, apesar de terem origem de fato na biologia, perpassam ela de tal forma que mantém apenas suas raízes nela, indo mais além do que o que se esperaria.
Logo, temos que o fator natural não pode ser mais tão usado como desculpa.
Isso porque ela nem citou a Biologia da coisa, eu que resolvi citar por desencargo de consciência. Onde eu realmente quero chegar é: Se temos convenções sociais, sejam elas de mídia ou não, são coisas que NÓS MESMOS criamos, e que simplesmente decidimos por seguir OU NÃO! Eu mesmo uso cabelos grandes sendo homem e sin to uma forte repressão social por isso, mas quem liga? E apenas uma convenção, não é?
E exatamente por isso que me deixa puto ela falar quer fidelidade é convenção. Fidelidade é algo que se escolhe, não é obrigado, mesmo que a midiatização das relações amorosas seja tamanha que nos force a termos uma fidelidade forçada.
Parece confuso o que eu estou dizendo (e de fato é), mas o ponto é simples:
Todos sabem o que sentem, todos sabem que sentem tesão por mais de um. Mas o amor, justamente por sermos mais complexos que animais, é mais do que apenas um impulso biológico ou um conjunto de convenções midiáticas. O amor é a necessidade de estar junto, é a necessidade de ter alguém do lado. É a salvaguarda de que você não vai morrer completamente sozinho sem antes ter tido alguém do seu lado, seja até o leito de morte ou por pelo menos alguns meses.
Logo, quem escolhe amar e se casar, tem que o fazer SABENDO das convenções sociais que permeiam a relação. É o MÍNIMO que se espera de quem se casa, já que por lei é preciso ser maior de idade para se casar, o que sugere (apenas sugere, infelizmente não é regra), que a pessoa tenha algo na cabeça além de orelhas e cabelo. Portanto, quem namora / noiva / se casa tem que ser fiel, senão NÃO ESTARÁ namorando / noivando / se casando / mantendo casamento.
Esse livro me emputeceu porque me parece que é uma desculpa para a infidelidade, coisa que eu repudio com um nojo tremendo. Dizer que o homem precisa até é uma atitude louvável. Imagino se no meio de um casamento a relação estiver desgastada e o homem precisar procurar outra pessoa, isso até realmente pode acontecer, e de fato acontece.
A foda é veicular isso para um público!
São POUQUÍSSIMAS as pessoas que são realmente fiéis. E justamente por isso que esse livro vai ser uma merda. Quem é "fiel" que trai e esconde ou que usa as desculpas biológicas ou sociais vai ter mais uma desculpa na lista para trair.
O que me deixa chateado é a falta de maturidade das pessoas ao se relacionarem. Isolando "acidentes de percurso" (estar realmente bêbado e trair, ser atacado por alguém sem necessariamente querer ficar com a outra pessoa, estar EXTREMAMENTE carente e sem poder estar com a pessoa que se ama [apenas estando de bem com ela, estando de mal sugere uma vingança ou até mesmo um simples ato de covardia ou incapacidade de pedir desculpas] ) ou outras situações aceitáveis que não se encaixem no que eu citei, todas as traições são dignas de pena e raiva. A partir do momento que você sela um relacionamento, você já está assinando um pacto de fidelidade óbvio e silencioso.
Espero que esse livro não faça o mínimo sucesso.
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1430509-5603,00.html
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1430509-5603,00.html

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